Menos cirurgia, mais fantasia!

No Brasil, são realizadas 700 mil cirurgias plásticas por ano, com uma porcentagem crescente entre jovens de 18 a 24 anos. Segundo os médicos, o ápice acontece próximo ao Carnaval.

Por quê? Bem, poderíamos começar visualizando a imagem que o Brasil tem no exterior: esta seria a terra da mulata com o corpo perfeito, que desfila em biquíni mínimo para os olhos de quem quiser ver, certo? A sensualidade tropical aflora a cada coco gelado nas areias de Copacabana, a praia mais famosa do mundo. Bundas e peitos para ninguém botar defeito!

De onde saiu essa noção aparentemente deturpada? Não é apenas do olhar de fora. Assim como no Caribe, nós aqui também compramos e vendemos a ideia de um povo de sexualidade exacerbada e forma física generosa.

Porém, não é nada fácil se encaixar em uma sociedade que valoriza em demasia os atributos naturais dos indivíduos. E como boa parte das pessoas não nasce com os padrões considerados ideais de beleza, a solução vista por muitos é voluntariamente se submeter a cirurgias plásticas. Cortar o corpo e modificá-lo!

O resultado de todo esse contexto é que o Brasil é um dos campões mundiais desses procedimentos!

Não, eu não sou radicalmente contra plásticas. Eu mesma já fiz (orelhas de abano, vejam só). Mas a necessidade que as brasileiras sentem de ter seios grandes e empinados não é algo que saiu apenas da cabeça delas. É decorrência de toda uma pressão social que, se não existisse, talvez não as levasse a se submeter a uma cirurgia.

Aqui, no lugar de colocarmos uma fantasia para pular o Carnaval, nós fantasiamos o nosso corpo, nossa pele, e colocamos uma roupa de praia para exibi-lo! Bom seria se fosse ao contrário, não? E se ficássemos com essas formas mesmo que temos e nos transformássemos em outras pessoas apenas durante os blocos de rua? Será que conseguimos?

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Comentários

  1. Fernanda diz:
  2. Froide diz:

    Não sou contra cirurgia pástica, mas há limites.
    Imagino que essas mulheres que se enfiam em academias, adquirindo músculos anormais, juntamente com aqueles exagerados silicones, não pensam no futuro, na idade. O nosso corpo envelhece conosco, quando você rompe esse ciclo, vira esses monstros plastificados e infelizes.

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